Minicursos

Ministrantes Cursos V CIELLA

MINICURSOS - CONVIDADOS

CURSOS V CIELLA – DATA: 07 e 08 de novembro de 2016

Local Universidade Federal do Pará – Campus Básico I
Salas – serão divulgadas em breve
Inscrições na aba minicursos no site do CIELLA
Investimento – R$30,00 – um curso
R$50,00 dois cursos

Pagamento pode ser feito via depósito ou transferência na conta do CIELLA

BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA: 3702-8
CONTA CORRENTE: 43.970-3

Estudos Linguísticos (Clique nos convidados para exibir Título e Ementa)

MANHÃ – 9h às 12h

- Nilsa Brito Ribeiro-UNIFESSPA

TÍTULO: A escrita de si em contextos de formação
EMENTA: O curso tem o objetivo de discutir as bases teórico-metodológicas que favorecem análises de processos de formação por meio de escritas autobiográficas, sob o pressuposto de que esta prática – resultante de uma experiência ética e estética da existência- se constitui também como espaços de formação, na medida em que institui um mundo e encoraja o sujeito para um deslocamento, uma mudança de si. Tomaremos as reflexões de Foucault acerca da “escrita de si “ para fundamentar a nossa perspectiva de abordagem da escrita, entendida como uma estética que se manifesta, tanto na convergência dos controles institucionais como nas resistências que se inscrevem nos processos de singularização e de constituição do sujeito escrevente. O curso mobilizará análises de relatos autobiográficos produzidos por sujeitos em contextos de experiências formativas, focalizando, nos rearranjos escriturais, sentidos que remetam, tanto ao trabalho de produção da escrita quanto à constituição de subjetividades.

- Marcos André Dantas Cunha (UFPA)

TÍTULO: O ACONTECIMENTO DA TRADIÇÃO: CONSTRUÇÕES DE PODER NAS PRÁTICAS E SABERES CULTURAIS
EMENTA: Discurso e relações de colonização. Práticas de saberes e construções de poder. A estrutura social do saber. Tensões entre culturas grafocêntricas e orais. Espaços e lugares Identidade e dispersão em enunciações de saberes. Multicuturalidade, intercuturalidade e Globalização. Indústria Cultural, capitalismo e legimitação. Hegemonias e heterogeneidade. Sujeito fragmentado. Saberes constitutivos e mediação. Repetição e resistência; entre o progresso e a reação. Diferença, desigualdade na era da conectividade instantânea.

O curso pretende discutir as relações entre saber e poder. Pensar as práticas culturais se constituindo nas implicações dos espaços/lugares em que os saberes se estabelecem e circunscrevem, mas simultaneamente podem se implicar, se interpenetrar. Propõe-se ainda a refletir acerca da tensão entre saberes que se submetem e outros que se resistem à mediação hegemônica de certas ordens de poder. Os saberes diferentes em interposição se fazem cooptados, legitimados em objetos de consumos que tende inseri-los no espaço do instantâneo das virtualidades que tendem a absorver as identidades a pretexto de divulgação e ou preservação.

Referencias bibliográficas

CANCLINI, N. G. Consumidores e Cidadãos. Conflitos multiculturais da globalização. 7. ed. Trad. Maurício Santana Dias. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2008.
----------. Diferentes, desiguais e desconectados. 3ª ed. Trad Luiz Sérgio Henriques. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ,2009
CASTELLS, M. O Poder da Identidade. A era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura. v. 2. 5. ed. Tradução de Klauss Brandini Gerhardt. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
CERTEAU, M. A Escrita da História. 2. ed. Trad. Maria de Lourdes Menezes. Rio de Janeiro: Forense, 2006.
_____. A Cultura no plural. 4. ed. Campinas, SP: Papirus, 2005. (Coleção Travessia do Século).
_____. A invenção do cotidiano. Trad. Ephraim Ferreira Alves, 15. Ed. Petrópolis, RJ : Vozes, 2008.
FOUCAULT, M. A Arqueologia do Saber. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008a.
_____. A Ordem do discurso. 17. ed. São Paulo: Ed. Loyola, 2008b.
_____. Microfísica do Poder. 24. ed. São Paulo: Ed. Graal, 2007.

- Alcides Fernandes de Lima (UFPA)

TÍTULO: METODOLOGIA SOCIOLINGUÍSTICA Aplicação na Pesquisa e no Ensino de Língua
EMENTA: Língua, sistema, norma e fala. Fundamentos teóricos da variação e da mudança linguística. Padrões linguísticos e adequação discursiva. Variação dialetal e variação estilística: aspectos da variação Geossociolinguística do Português Brasileiro e abordagem da variação em sala de aula.

Resumo: Neste minicurso, mostraremos como a variação linguística é constitutiva da língua e como os vários padrões de linguagem são funcionais para a comunicação verbal. Mostraremos também por que a variação faz parte da competência linguística dos falantes. Com base nos trabalhos de Labov (2008, 2006), Trudgill (2000), Bagno (2011), Bortoni-Ricardo (2004), Braga e Molica (2011), Brito (2000), dentre outros, apresentaremos a metodologia da sociolinguística, discutindo a relevância dessa metodologia para a pesquisa linguística e para o ensino de língua. No que diz respeito, especificamente, ao ensino de língua, argumentaremos, como base no que se convencionou chamar de sociolinguística educacional, que o ensino dos aspectos linguísticos (léxico e gramática) e discursivos (condições de produção) é pouco fecundo para o indivíduo aprender uma língua ou um padrão de linguagem (o “culto”, por exemplo), se o ensino desses aspectos não estiver articulado a atividades, efetivas, de práticas de linguagem. As evidências mostram que os seres humanos possuem uma aptidão especial para a linguagem, mas tal aptidão precisa da interação social para que seja desenvolvida. Isso não significa dizer, obviamente, que tudo na língua seja espontâneo e que o conhecimento declarativo sobre os aspectos linguísticos e textuais e sobre as condições de produção dos discursos não seja importante para um uso competente da comunicação verbal. Mas significa dizer, por exemplo, que um aluno não dominará a modalidade escrita padrão do português, se ele não for exposto a atividades de linguagem próprias dessa modalidade (tais como, leitura e releitura, e escrita e reescrita de textos de vários gêneros). O presente minicurso discutirá essas questões, tendo como objetivos principais levar os participantes a: (i) compreender os padrões de linguagem como normas sociais de uso da língua, criando-se, com isso, uma consciência reflexiva que relativize o conceito de “erro” e de “prestígio”; (ii) elaborar uma metodologia de pesquisa variacionista que permita investigar aspectos da variação linguística em determinada comunidade de fala.

Referências bibliográficas:

BAGNO, M. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2011.
BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna: a sociolinguística na sala de aula. São Paulo: Parábola, 2004.
BRAGA, Maria Luíza; MOLLICA, Maria Cecília. Introdução à sociolinguística: o tratamento da variação. São Paulo; Contexto, 2011.
BRITTO, L. P. L. A sombra do caos: ensino de língua e tradição gramatical. Campina: Mercado de Letras, 2000.
CALVET, L. J. Sociolinguística: uma introdução crítica. São Paulo: Parábola, 2002.
LABOV, W. Padrões sociolinguísticos. São Paulo: Parábola, 2008.
_________. The social stratification of english in New York city. Second edition. New York: Cambridge – University Press, 2006.
TRUDGILL, P. Sociolinguistic: an introduction to language and society. Fourth edition. London: Penguin Books, 2000.
WEINREICH, U.; LABOV, W.; HERZOG, M. I. Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística. São Paulo: Parábola, 2006.

- Prof. Dr. Joshua Birchall

TÍTULO: A diversidade linguística da Amazônia
EMENTA: Este curso oferece uma introdução às famílias linguísticas da Amazônia. Os tópicos seguintes serão tratados: o estado atual da classificação das famílias linguísticas, teorias sobre suas migrações e dispersões, áreas de interação regional entre populações falantes de línguas divergentes, e alguns aspectos tipológicos interessantes das línguas amazônicas. Também serão abordados os princípios básicos dos métodos utilizados na linguística comparativa.

TARDE – 14h às 17h

- Eduardo Alves Vasconcelos (UNIFAP)

TÍTULO: Traços distintivos em Fonologia
EMENTA: Esse curso tem como objetivo apresentar as duas primeiras abordagens de traços distintivos em fonologia: a proposta de Jakobson, Fant & Halle (1952), com sua atualização em Jakobson & Halle (1956); e a proposta de Chomsky & Halle (1968). Em comum essas duas abordagens teóricas abandonam a perspectiva de fonema como unidade mínima, em que um segmento se opõe a outro, ou ainda, a perspectiva da alofonia, em que a descrição identifica o fonema e sua distribuição. Assume-se, então, que o segmento é um feixe de traços distintivos, e, principalmente na perspectiva gerativa (Chomsky & Halle, 1968), os processos fonológicos e morfofonológicos são tratados como regras fonológicas, em que uma forma subjacente é derivada até a sua realização na sintaxe da língua. Essas duas propostas divergem quanto a base de descrição dos segmentos (base acústica para primeira proposta e base articulatória para a segunda) e quanto à delimitação do sistema linguístico, para Jakobson, por conta da sua relação com Círculo Linguístico de Praga, assumir a perspectiva de traço é a busca pelo menor número de oposições necessárias para delimitar o sistema fonológico de uma língua, para Chomsky & Halle, interessa que traços estão envolvidos nas regras fonológicas. O curso tem como foco alunos graduandos e graduados interessados em reflexões sobre fonologia.

Referências
CHOMSKY, N.; HALLE, M. The sound pattern of English. New York, NY: Harper and Row, 1968.
HERNANDORENA, C. L. M. Introdução à teoria fonológica. In BISOL, L. (org.). Introdução a estudos de fonologia do português. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999.
JAKOBSON, R. FANT, C. G. M.; HALLE, M. Preliminaries to Speech Analysis. The distinctive features and their correlates. Cambridge, MA: The MIT Press, 1952.
JAKOBSON, C. G. M.; HALLE, M. Fundamentals of Language. The Hauge: Mouton & co. S. Gravenhage, 1956.
JAKOBSON, C. G. M. HALLE, M. A Fonologia em relação com a fonética. In JAKOBSON, C. G. M. Fonema e Fonologia. Tradução de Mattosso Câmara Jr.. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1972.
HAYES, B. Introductory Phonology. Oxford, UK: Blackwell Publishing, 2009.
YALLOP, C.; CLARK, J. An introduction to phonetics and phonology. 2 ed. Oxford, UK: Blackwell Publishing, 1995.

- Isabel Cristina França dos Santos Rodrigues (UFPA) / Prof. Me. Sandra Mina Takakura (UEPA)

TÍTULO: Carnavalização, manifestações de rua e cultura popular
EMENTA: As manifestações carnavalescas da Idade Média e as manifestações de rua da atualidade são objetos deste minicurso. A finalidade é analisar e discutir as diversas manifestações culturais que acontecem na atualidade à luz de uma obra do filósofo da linguagem Mikhail Bakhtin (1895-1975), mais especificamente a obra “A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais”. Os principais conceitos a serem trabalhados: vocabulário da praça pública, o riso, as festas populares, a carnavalização, o banquete e o estilo grotesco. Destina-se a professores da língua materna e estudantes universitários interessados e que se aproximam dos estudos dialógicos do discurso.

- Márcia Ohuschi e Zilda Paiva

TÍTULO: ANÁLISE LINGUÍSTICA: A CONSTRUÇÃO DE ATIVIDADES REFLEXIVAS A PARTIR DE ASPECTOS SOCIAIS E LINGUÍSTICOS DO TEXTO
EMENTA: No processo de ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa, construir questões reflexivas sobre a língua tem sido uma das dificuldades mais recorrentes entre os profissionais da área. Nesse sentido, este minicurso tem como objetivo auxiliar os professores (em formação inicial ou continuada) a desenvolverem questões gramaticais a partir de um texto de determinado gênero discursivo, considerando seus aspectos sociais e linguísticos. Desse modo, propomo-nos a apresentar uma abordagem sobre a prática de análise linguística, tendo como base as reflexões de Geraldi (1997), a visão dialógica da linguagem (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1992) e as perspectivas dos gêneros discursivos (BAKHTIN, 2003) e da variação e consciência linguísticas (BAGNO, 2007; DUARTE, 2008). Para tanto, partiremos de uma breve reflexão teórico-prática acerca de conceitos como gramática e análise linguística. Nessa reflexão, serão contemplados aspectos epilinguísticos e metalinguísticos no processo de compreensão textual, por meio de uma sequência de encaminhamentos (roteiro) elaborada por Ohuschi e Paiva (2014). Em seguida, os participantes, em grupos, receberão um material de apoio para, a partir dele, construir atividades de análise linguística com o auxílio do roteiro apresentado. As atividades serão apreciadas por todos, para a sistematização das possibilidades de trabalho com os aspectos gramaticais abordados.

Palavras-chave: Ensino e aprendizagem. Gramática. Análise linguística.

- Ronaldo Almeida Pereira - Mestrando em Arquitetura e Urbanismo - PPGAU

TÍTULO: Oficina de Apresentação Plataformas para Sistemas de Informações Geográfica SIG para sistematização dados e apresentação de resultados em Estudos Linguística
EMENTA: Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são um conjunto de tecnologias desenvolvidas para armazenagem, sistematização e tratamento de dados com alguma relevância espacial. O uso dessas tecnologias atualmente tem se difundido em diversas áreas do conhecimento; entre as mais usadas estão as voltadas ao planejamento, urbano e ambiental, a saúde, educação entre tantas outras. Esta oficina tem o propósito estabelecido em três objetivos:• Difundir o conhecimento introdutório sobre os componentes de um Sistema de Informações Geográficas e sua importante utilização no meio acadêmico para sistematização de dados espaciais de pesquisa e apresentação de resultados;• Apresentar as diferentes plataformas (aplicativos) de um SIG de uso aberto e plataformas comerciais;• Apresentar alguns conceitos básicos e procedimentos necessários para uso de um SIG - escolha da plataforma, compatibilização entre hardware e software, e a modelagem inicial para um estudo;

- Profa. Dra. Ana Carla Bruno (UFAM)

TÍTULO: Antropologia Linguística: O que é? Como se faz?
EMENTA: O curso pretende oferecer uma introdução aos estudos realizados sobre as relações entre língua, cultura e sociedade, discutindo aspectos relacionados à história da disciplina, temas e objetos de estudos, autores e revistas da área.. Enfatizando-se questões como Língua e Identidade, Língua e ideologia (língua e desigualdade Social), Língua e Construção Social do sujeito e neste sentindo, o falante será concebido como um ator social que é membro de uma particular comunidade, organizada em uma variedade de instituições sociais que compartilham uma série de valores e crenças sobre o mundo.

Referências Utilizadas no Curso:
1. DURANTI, A. (1997) Linguistic Anthropology. Cambridge: Cambridge University Press. (Capítulos 01 e 02)
2. ____(2003) Language as Culture in U.S. Anthropology; Three Paradigms”. CURRENT ANTHROPOLOGY Vol. 44, Number 3, June 2003. p. 323-347 (Tradução para o espanhol: Patricia Dreidemie, Argentina).
3. GAL, Susan and Judith T. Irvine. 1995. The Boundaries of language and Disciplines: How Ideologies Construct Differences. IN:Social Research, 62:967-1001.
4. WOOLARD, Kathryn A. “Imtroduction: Language Ideology as a Field of Inquiry. P. 3-47” . In: Bambi B. Schieffelin, Kathryn A Woolard, and Paul V. Kroskrity (eds.). Language Ideologies: Practice and Theory, New York: University Press, 1998.

Sugestões de Bibliografia (para quem quiser se aprofundar mais sobre a disciplina)
AGHA, Asif. 2007. Language and Social Relations. Cambridge: Cambridge University Press.
AHLERS, Jocelyn C., and Suzanne A. Wertheim 2009 Introduction: Reflecting on Language and Culture Fieldwork in the Early 21st Century. Language & Communication 29(3): 193–198.
AUSTIN, J. L. (1962) How to do things with words. Oxford: Clarendon Press(Tradução pela Artes Médicas, 1990).
BAUMAN, Richard e BRIGGS, Charles (2006) Poética e performance como perspectivas críticas sobre a linguagem e a vida social. Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis: UFSC, v. 8.
https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/18230
BHABHA, Homi. 2011. Ebonics: O Inglês da Rainha. IN: O Bazar Global e o Clube dos Cavaleiros Ingleses - Textos Seletos. Rio de Janeiro: Rocco.
BOURDIEU, P. (1998) A economia das trocas lingüísticas: o que falar quer dizer. São Paulo: EDUSP.
CHERNELA, Janet .2003 Language Ideology and Women’s Speech: Talking Community in the Northwest Amazon. American Anthropologist 105(4): 794–806.
____.2004 The Politics of Language Acquisition: Language Learning as Social Modeling in the Northwest Amazon. Women & Language 27(1): 13–21.
DURANTI, Alessandro. 2007. A Companion to Linguistic Anthropology. Blackwell Publishing.
EDWARDS, John. 2009. Language Identity. New York: Cambridge Universty Press.
GRANADILLO, Tania .2006 An Ethnographic Account of Language Documentation Among the Kurripako of Venezuela. PhD Dissertation, University of Arizona.
GUMPERZ, John. Types of Linguistic Communities. Anthropological Linguistics 4:28-40.
HANKS, W. F. (2008) A língua como prática social: das relações entre língua cultura e sociedades a partir de Bourdieu e Bakhtin. São Paulo: Cortez.
JACKSON, Jean.1983. The Fish People: Linguistic Exogamy and Tukanoan Identity in Northwest Amazonia. Cambridge: cambridge University Press.
KULICK, Don. 1992. Language shift and cultural reproduction: socialization, self, and syncretism in a Papua New Guinean Village. Cambridge, Great Britain: Cambridge University Press.
PHILIPS, Susan U. 2001. Language and Social Inequality. In A. Duranti (ed). A Companion to Linguistic Anthropology. Oxford: Basil Blackwell.
URBAN, Greg and Joel Sherzer. 1988. The Linguistic Anthropology of Native South America. In Annual Review of Anthropology, v. 17:283-307.

Estudos Literários (Clique nos convidados para exibir Título e Ementa)

MANHÃ – 9h às 12h

- Augusto Sarmento-Pantoja (UFPA)

TÍTULO: Cinema e Literatura na ditadura brasileira: questões de resistência.
EMENTA: Durante os 21 anos de ditadura civil-militar brasileira o cinema utilizou de várias estratégias para realizar a resistência contra a repressão ditatorial, nesse caminho a literatura teve grande importância na construção desse espaço de resistência. O curso buscará analisar de que maneira o cinema se apropria da Literatura em vários momentos diferentes da ditadura e como essas obras contribuíram para a manutenção de uma arte preocupada em questionar o autoritarismo da ditadura brasileira.

- Sylvia Maria Trusen (UFPA-Campus Castanhal)

TÍTULO: O maravilhoso: uma poética da alteridade?
EMENTA: É conhecida a definição dada por Todorov ao fantástico, distinguindo a literatura do gênero de outros dois vizinhos: o estranho e maravilhoso. No entanto, a introdução à literatura fantástica, embora reconhecida em seu afã por criar um modelo que explicite as leis do fantástico, é criticada por Victor Bravo (Los poderes de la ficción), uma vez que sua teoria estaria assentada sobre a figura do leitor – para o crítico venezuelano, de cunho extra-literário. Nesse sentido, partindo das premissas lançadas por Victor Bravo propõe-se, para este mini curso, o estudo da noção de alteridade, como operador textual que permita reler o insólito maravilhoso. Para este fim, propomos o exame de alguns textos dos estudos literários e da psicanálise, centrados na questão da alteridade, além de obras da literatura que encenem o maravilhoso.

Bibliografia básica
CALVINO, Ítalo. (org.) Contos fantásticos do século XIX. São Paulo : Cia das Letras, 2004.
BRAVO, Victor. Los poderes de la ficción. Caracas: Monte Ávila, 1985.
FREUD, Sigmund. O estranho. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud , Vol. XVII. Tradução sob dir. de Jayme Salomão. Rio de Janeiro : Imago, 1996. Trad. de: : The standart edition of the complete psychological works of Sigmund Freud.
TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. Tradução de Maria Clara Correa Castello. São Paulo: Perspectiva, 1975. Ttad. de: Introduction à la littérature fantastique.
TRUSEN, Sylvia Maria. Insólito, Alteridade e Maravilhoso: reflexões em torno do maravilhoso amazônico. In: Organizadores da obra: GARCÍA, Flavio; GAMA-KHALIL, Marisa Martins. (Org.). Vertentes do Insólito Ficcional. Ensaios I. 1ed.Rio de Janeiro: Dalogarts, 2015, v. 1, p. 261-280.
_________________ . Do enredo de um nome: Märchen, Maere, Maerlîn. Fronteiraz (São Paulo), São Paulo, p. 56 - 67, 18 set. 2009

Bibliografia complementar
BRAVO, Nicole. Fernandez. Duplo. In: BRUNEL, Pierre. Dicionário de termos literários. Trad de Carlos Sussekind et ali. Rio de Janeiro : José Olympio, 2000. Trad. de Dictionnaire des mythes littéraires.
CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio: lições americanas. Tradução de Ivo Barroso. São Paulo : Cia das Letras, 1990. Trad. de : Lezioni americane Sei proposte per il prossimo millennio.
FREUD, Sigmund. O Ego e o Id. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Vol. XIX, Tradução sob dir. de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Trad de: The standart edition of the complete psychological works of Sigmund Freud
FREUD, Sigmund . O mal-estar na civilização. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Vol. XXI. Tradução sob dir. de Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Trad. de: The standart edition of the complete psychological works of Sigmund Freud
HETMANN, Frederik. Traumgesicht und Zauberspur. Frankfurt a. Main: Fischer, 1982.
LÜTHI, Max. Das europäische Volksmärchen. 9 ed. Tübingen: Francke, 1992.
ROAS, David. De la maravilla al horror. Los inicios de lo fantástico en la cultura espanola. Pontevedra: Mirabel, Editorial, 2006. (ebook)
TRUSEN, Sylvia Maria. Das Märchen vom Schlauraffenland, ou a História de um País de Monos e Loucos. Brathair (Rio de Janeiro), v. 6, p. 89-94, 2006.
________________. Encantos do Honorato : O Duplo e o Medo na narrativa Encanto Dobrado da coletânea Abaetetuba conta. In: GARCÍA, Flavio; PINTO, Marcello Oliveira; MICHELLI, Regina. (Org.). Vertentes do fantástico no Brasil. 1ed.Rio de Janeiro: Dialogarts, 2015, v. 1, p. 221-232.
VERSIANI, Daniela Beccaccia . Construção de realidades e percepção do insólito. III Painel “Reflexões sobre o Insólito na narrativa ficcional”: o insólito na Literatura e no Cinema, Faculdade de Formação de Professores da UERJ, 2008.
Consultado em : http://www.dialogarts.uerj.br/avulsos/insolito/Poeticas_do_Insolito.pdf

- Jorge Fernandes da Silveira (UFRJ)

TÍTULO: O RETORNO DO ÉPICO
EMENTA: Desde a publicação d’Os Lusíadas, 1572, fixações e deslocamentos de imagens entre a desejada liberdade pela criação de um corpus de figuras do imaginário, isto é, a Literatura, e a reivindicada libertação da humanidade por meio da fundação de um corpo político real, isto é, a Revolução, é dos temas mais interessantes em língua portuguesa. Da imagem do escritor contemporâneo (as)sentado entre os discursos das vanguardas revolucionárias modernas e os discursos das vanguardas literárias pós-românticas, levanta-se a hipótese de leitura deste curso. Em síntese, interessa: levantar novas hipóteses e considerar outros modos de escrever a história portuguesa, calcada, arbitrariamente, n’Os Lusíadas, como a História de “barões assinalados”; investigar o que é próprio da modernidade na poesia de acontecimentos na literatura portuguesa, isto é, em poemas em que há relatos de situações de tensão entre o sujeito e a sua circunstância; propor mecanismos de interlocução entre esses textos e pesquisas e estudos do público presente ao curso. O proposto implica a leitura e/ou apresentação, com diferentes critérios de seleção, dos textos: Os Lusíadas, Luís de Camões, “O Sentimento dum Ocidental”, Cesário Verde, Mensagem, Fernando Pessoa, “Opiário”, Álvaro de Campos Metamorfoses, Jorge de Sena, Navegações, Sophia de Mello Breyner, Dezanove Recantos e Os Sítios Sitiados, Luiza Neto Jorge, Novas visões do passado, Fiama Hasse Pais Brandão.

- Wilberth Salgueiro (UFES)

TÍTULO: “SÓ AOS POUCOS É QUE O ESCURO É CLARO” – GRANDE SERTÃO: VEREDAS, CONSIDERAÇÕES EM TORNO DE UMA CONSTELAÇÃO
EMENTA: Esse minicurso se propõe a realizar uma leitura de Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa, com o apoio de textos críticos sobre o romance, a partir da análise de certos pares suplementares: deus e demo, senhor e leitor, fala e escrita, prosa e poesia, monólogo e diálogo, folhetim e romance, história e mito, sertão e cidade, sertão e veredas, saber e não-saber, mandar e obedecer, jagunço e letrado, sistema e fragmento, totalidade e ambiguidade, infinito e finitude, presente e passado, amor e amizade, ficção e vida. Haverá a leitura e o comentário de fragmentos do romance e de trechos críticos, a partir de uma metodologia sugerida por Theodor Adorno em “O ensaio como forma” (Notas de literatura I): “O ensaio incorpora o impulso antissistemático em seu próprio modo de proceder, introduzindo sem cerimônias e ‘imediatamente’ os conceitos, tal como eles se apresentam. Estes só se tornam mais precisos por meio das relações que engendram entre si”. Da vasta fortuna crítica do romance, recomendam-se: As formas do falso [1970], Walnice Galvão; O recado do nome [1976], Ana Maria Machado; A cultura popular em Grande sertão: veredas [1984], Leonardo Arroyo; Em busca da terceira margem [1993], Eduardo Coutinho; Grandesertão.br: o romance de formação do Brasil [2004], Willi Bolle.

- Maria do Socorro Simões (UFPA)

TÍTULO: MITO E IMAGINÁRIO AMAZÔNICOS
EMENTA: Os relatos, que fazem parte do acervo do Projeto: “O imaginário nas formas narrativas orais populares da Amazônia paraense”, constituem uma amostra da multiplicidade do viver amazônico, envolvendo as emoções, os sonhos, os devaneios, as aspirações, ideais, realizações e frustrações, encantos e desencantos... enfim, toda vida e utopia de um homem dividido entre a floresta e as águas desta vasta planície. O minicurso propõe-se a fazer uma leitura acerca de alguns mitos amazônicos, a partir da visão de Leminski (1994), que considera o mito como a “palavra fundadora, a fábula matriz, a estrutura primordial, leitura analógica do mundo e da vida.

TARDE - 14h às 17h

- Martha Pulido (Universidade de Antioquia)

TÍTULO: La Vorágine del escritor colombiano José Eustacio Rivera (1888-1928): un análisis desde la traducción
EMENTA: La perspectiva del relato de viaje y de su traducción se acerca a lo intercontinental en lo referente a la traducción interlingüística; pero se ocupa también de lo intercultural criollo-indígena, ciudad-selva, sociedad urbana-sobrevivencia selvática. En la novela con la que se ilustra la hipótesis, la narración evidencia el encuentro de culturas tan diferentes como la Americana y la indígena, la cultura americana de la ciudad, de lengua castellana, y la cultura americana de aquellos que habitan en la selva y en la llanura, y cuya lengua castellana es muchas veces de difícil comprensión por parte de los que he llamado los americanos nuevos.
Leeremos detenidamente fragmentos del texto, poniendo en contexto el lenguaje analizado, sirviéndonos de la traducción al inglés, para subrayar la intención del autor.

- Manuel Antônio de Castro (UFRJ)

TÍTULO: O humano, o poético e o corpo: leituras
EMENTA: O que é leitura e como ela se relaciona com o humano? A identidade e a diferença do humano nas diferentes leituras: as culturas. Como o ser humano se diferencia dos demais entes? As três respostas essenciais: A cura, o logos e a ek-sistencia. A questão do universal, diferença e identidade: pensar e ser. A questão da referência entre humano e poético. O humano, o poético e a verdade: método e leitura. O humano, o corpo e as identidades. O corpo e o poético como diferenças

Poemas de leitura e reflexão:

- “A constante aprendizagem”, de Cecília Meireles
- “Motivo”, de Cecília Meireles
- “Gato que brincas na rua”, de Fernando Pessoa
- “O mito de Cura”, de Higino
- Poemas sobre o Corpo

Bibliografia:
CASTRO, Manuel Antônio de. Leitura: questões. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2016.
----------------------. Arte: o humano e o destino. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2011.
CASTRO, Manuel Antônio e Outros (org.). Convite ao pensar. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2014.

- Cesar Luís Seibt (UFPA)

TÍTULO: Linguagem e poesia em Martin Heidegger
EMENTA: O pensamento desenvolvido por Martin Heidegger no decorrer do século XX se constitui numa grande desconstrução do universo compreensivo já sempre pressuposto em tudo que fazemos e pensamos. Essa desconstrução implica num trabalho profundo com a própria linguagem, de superação das objetificações ou reificações de que essa é vítima no modo de pensar metafísico. Analisaremos e pensaremos sobre e a partir de alguns de seus textos (A caminho da linguagem e Ser e Tempo) essa situação e nos aproximaremos do movimento para a arte, sobretudo para o poetar.

Bibliografia:

HEIDEGGER, Martin. A caminho da linguagem. Petrópolis: Ed. Vozes, 2003.
HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Trad. Márcia de Sá Cavalcante. Petrópolis: Ed. Vozes, 1999.
KUSCH, Martin. Linguagem com cálculo versus linguagem como meio universal. São Leopoldo: Editora UNISINOS, 2003.

- Florência Garramunõ (UBA)

TÍTULO: DIMENSÕES DA VIDA ANÔNIMA NA CULTURA CONTEMPORÂNEA
EMENTA: Sustentado na análise de materiais heterogêneos, o curso aspira a construir um marco de leitura para uma série de práticas culturais latino-americanas que pensam a experiência para além do prisma da consciência individual, pensando a vida na sua densidade anônima e impessoal. O curso se sustenta na hipótese de que várias transformações sobre os modos de se conceber a subjetividade, a escrita, e a comunidade podem ser apreendidas a través de práticas culturais cada vez mais numerosas que registram a transformação de uma paisagem social onde os deslocamentos, o nomadismo, e a contingencia das relações pessoais são cada vez mais numerosas. Algumas intervenções radicais na cultura latino-americana contemporânea apontam para uma desconstrução da categoria de pessoa que exploram formas do impessoal ou anônimo e insistem em interrogar a intensidade de uma experiência que é irredutível a um eu ou individuo. Trabalharemos com textos e práticas de Teixeira Coelho, Veronica Stigger, Diamela Eltit, Claudia Andújar, Gian Paolo Minelli, Rosangela Rennó, Sergio Chejfec, Egardo Dobry e Marília Garcia.

1.Para além do romance e do sujeito.
a. Crisis de la novela y del sujeto: Barthes, La preparación de la novela.
Walter Benjamin, “Crisis de la novela.”
Eduardo Cadava, Who Comes After the Subject?
b. Descentramiento narrativo, temporal y espacial.
Teixeira Coelho, Historia natural da ditadura
c. El texto como escucha y el narrador testigo:
Veronica Stigger, Delírio de Damasco
Sergio Chejfec, Modo linterna

2. Uma vida
a. Gilles Deleuze. Immanence. A Life
b. A poesia contemporânea como confim. Edgardo Dobry, Cosas
c. Diálogos e interferencias. Marília Garcia, Engano geográfico.

3. A exposição do ser em comum. Povos, comunidades
a. O ser-em-comum: Jean-Luc Nancy, “Ser singular-plural”.
b. Entre a série e o retrato: Claudia Andújar, Marcados.
c. Relevamento de lugares, montagem de corpos. Gian Paolo Minelli, Zona Sur – Barrio Piedra Buena.